Meus amigos, vamos lá ver uma coisa...
O que é a greve!?
do Fr. grève
S. F., Suspensão voluntária, colectiva e temporária do trabalho por um conjunto de pessoas por motivos de ordem laboral;
Paragem voluntária, colectiva e temporária de uma actividade por reivindicações de vária ordem ou por protesto (greve estudantil ou parede, greve de fome).
Portanto, entende-se por greve a paragem colectiva para a reivindicação de algo... tudo muito certo.
Ando há semana a ouvir gente pelos corredores, nos autocarros e em conversa de filas de espera que se vai "fazer greve". No entanto, não vejo ninguém que se junte para se fazer ouvir.
Perguntam-me e levam resposta negativa e ficam todos muito ofendidos... "Não queres reivindicar pelos teus direitos!?"...
Bem, calma lá!
Reivindicar os meus direitos, sim! Reivindicar um ensino melhor, sim! Desde que tudo isto seja organizado e justificativo!
Em Esgueira os miúdos do 7º e daí para cima, tudo anda com a "greve" na conversa, mas era bom que houvesse gente que não só lhes incutisse a ideia de "greve" para se faltar às aulas, mas sim a sua verdadeira razão de ser... Quantos sabem o porquê desta suposta "greve"!? Quantas associações de estudantes (é muito giro fazer uma campanha, meter música nos intervalos, andar de t-shirt com a letra da lista, deixar por momentos a ideia de dinâmica dentro de um liceu, mas tudo isto seria ainda mais giro, se depois disto se mostrasse trabalho em prol da comunidade escolar e meus amigos, isso pode ser tudo menos verosímil) existem para fervilhar uma reivindicação de direitos à séria!? Quantos falam da "greve" em consciência!? Quantas pessoas com 18 anos ou mais, dentro da comunidade escolar, vão às urnas, hein...!? Isto pode parecer insignificante, mas para mim tem a significância toda. E quando perguntamos: "Porque é que vais aderir a isso?" - Alguém me soube dar uma resposta concisa!?
Sou a favor da "greve", das manifestações e de tudo que nos possa facilitar a comunicação colectiva com outrem.
Também sou contra as aulas de substituição obrigatórias (a escolha de permanecer ou ir embora aquando uma falta de um professor deve ser do aluno, este deve saber gerir o seu tempo e ser autónomo e responsável para fazer as suas escolhas. Noventa minutos com um professor de história, quando devia ter bases de programação (rara é a vez que temos professores da disciplina disponíveis), não tem pés nem cabeça e se eu quiser trabalhar também existem bibliotecas e inúmeros lugares, não só a sala de aula é um bom local de trabalho; A desculpa de rentabilizar o tempo e dizer que com isto pretende-se combater o insucesso escolar, não me cai bem. O insucesso escolar existe, também, por toda a falta de formação cívica que existe na sociedade actual e enquanto não se investir mais nisto, penso que o problema não será resolvido.) e a favor das aulas de educação sexual no plano curricular (deve insistir-se na formação cívica e na consciencialização e familiarização da sociedade mais jovem com todos os temas que abordem a sexualidade) - para mim são estes os pontos fundamentais. Concordo que também devíamos ter mais bens materiais e humanos, mas acho que este é um ponto que diz respeito ao estabelecimento de ensino, propriamente dito, deve ser este a gerir a sua verba da melhor forma, de maneira a contribuir para o melhoramente das instalações, o governo não vai às escolas, não sabe o que se passa o que vive dentro delas, mas sim os conselhos executivos; Os exames nacionais devem existir, devem ser feitos e isso é que torna todas as candidaturas justas. - e adiria à "greve", se houvesse mais gente interessada e consciencializada no tema e que o fizessem ser sério e organizado!
Não são umas frases, nem meia dúzia de gatos-pingados à porta de um liceu, nem meia dúzia de faltas injustificadas no livro de ponto que reivindicam direitos! A "greve" só por si deve ser um direito, mas sustentada não só em factos, mas também em actos.
Amanhã não vou faltar, se preferirem, não vou aderir à suposta "greve", mas não deixo de concordar com alguns dos seus temas, contudo quando tiver mais gente interessada em organizar e mover massas por uma causa, estou aqui! Ficar em casa, ou ficar ao portão do liceu ao frio, sem ter um colectivo que se manifeste, não me serve de nada... Apenas vai ridicularizar a imagem dos alunos. E mal por mal, antes ir às aulas, o meu professor até nem é de faltar e até é boa pessoa.
Esgueira há anos, abanou Aveiro... Fez com que todas as escolas se fizessem ouvir e aí sim reivindicou-se em consciência e de forma justificativa e organizada, quando houver novamente um número suficiente de alunos para se avançar com algo do mesmo porte, olhem à volta, vou estar por perto, agora para palhaçadas e coisas ridículas, não contem comigo.
Tenho dito.
5 comentários:
Deram-me um folhete da greve, e deu vontade de rir.
Há dois pontos que se contradizem, "Um acesso ao ensino superior justo", e "Não aos exames nacionais".
Bem, poderia estar aqui tempos e tempos a justificar a minha opinião, mas limito-me a dizer que os exames nacionais são o que fazem o acesso ao ensino superior ser justo, senão seria uma balbúrdia.
Depois exigir qualidade material e humana é um ponto muito pouco especifico, se formos a ver qualquer pessoa (estudante ou empregada) poderá queixar-se disso, não vejo que seja motivo para uma greve.
Um ensino público gratuito e com qualidade. É uma verdade que comparando o que se paga no ensino público e a sua qualidade, deixa muito a desejar. Talvez se diminuissem os custos, ou então aumentassem a qualidade, seria mais lógico, mas... Eu ficaria por uma melhor qualidade, mas isso sou eu.
E por fim, as aulas de substituição. Acho que se cada escola se organizar poderia funcionar bem. Afinal somos os alunos da Europa que passamos menos tempo na escola, e com menos rendimento. Se as coisas forem bem feitas, poderemos estar a ter 'feriado' a Português e haver um professor de Português disponível. Mas quando são os próprios professores a não querem é dificil que as coisas funcionem. Garanto que se fosse p'ra beneficio deles, eles achariam solução.
Sou a favor de greves coerentes, em que haja um objectivo sólido a defender.
Não das que são um simples motivo para mais um dia sem aulas, o que é o caso.
O nosso ensino não é um exemplo de sucesso, apoiarei todas as medidas para o melhorar. Nunca me limitarei a ir p'ra frente do Governo mandar uns berros e depois passar uma tarde de borga no fórum (sabe bem, mas não soluciona aquilo que dizem estar mal).
Beijinhos.
A greve é um direito constitucionalmente consagrado (art. 57º CRP) aos trabalhadores. O próprio Código do Trabalho concretiza os princípios fundamentais da greve, devendo esta, por exemplo, ser decidida pelas associações sindicais.
Ora, no caso dos alunos/estudantes, em momento nenhum do nosso ordenamento jurídico está previsto o direito à greve. Portanto, a "greve dos estudantes" é algo que não existe, até porque, também não existe ninguém com legitimidade para a convocar.
No entanto, outro direito assiste aos estudantes: o direito à manifestação (também constitucionalmente previsto). E, nesse âmbito, parece-me muito bem que os estudantes se mobilizem e vão para as ruas demonstrar as suas preocupações e reivindicações. É uma forma legítima de participação cívica.
Note-se que uma manifestação não se confunde com uma greve. Boicotar as aulas, nomeadamente através do encerramento das escolas a cadeado é crime e atenta com a liberdade individual de cada um.
Por último, tenho dificuldades em conceber uma manifestação que seja convocada por "não se sabe bem quem".
Como é que alguém aceita participar numa manif que não sabe por quem é convocada? Como é que se entrega um documento no Governo Civil, do qual a maioria dos alunos não têm conhecimento?
Andam por aí muitos meninos desta "geração morangos com açúcar" a querem mostrar-se. Pior, são os adultos que através de algumas organizações políticas (que se escondem), manipulam as massas numa convergência de interesses que os beneficia.
Gostei do post e da intervenção da Mariana.
Beijo.
http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20061116+Alunos+podem+ser+acusados+de+crime.htm
Gostei a intervenção da Su (autora do Blog para os mais distraidos), da mariana e do Nuno. NJão gostei do que vi na Homem Cristo. Meia duzia de gatos pingados a serem geridos por uma rapariga que lá dizia as frases chaves (uma que não gostei mesmo foi: passagem obrigatória, fora aos exames nacionais) e uma série de miudas a comer croissantes com ar de passeio atrás da meia duzia de gatos pingados. Não me entregaram nenhum folheto. Não achoq ue assim se vá a algum lado e quando perguntei o que reeinvindicavam a um miudo que ficava para trás, ele respondeu que não sabia bem, mas que era essencialmente melhorar a escola. Pronto.
Gostava de ver mais força nos estudantes, e principalmente mais consciência nas acções que fazem. Pareceu-me que foi mais um dia para curtir fora docontexto das aulas.
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